O Evangelho segundo Madonna

Como a Rainha do Pop ajuda a relativizar a vida


Madonna no MET Gala 2018 (Foto: Divulgação)

Antes de mais nada, quero avisar que esse é um relato bem pessoal de uma experiência na religião Madônnica. Peguem seus Confessions e e sejam bem-aventurados!


23 de julho de 1990


No dia em que eu nascia, Madonna estava rodando o mundo com uma das turnês mais emblemáticas não só da cultura pop como da religião, da sexualidade, da moda, da filosofia, da política e por aí vai... A Blond Ambition Tour espiritualizava a todos nós.

Naquele ano, Madonna Louise Veronica Ciccone, nos agraciava com os louvores de “Like a Prayer”, álbum que a coroou como Rainha-Mãe, e “Vogue”, hino que prega a liberdade — em um preto e branco sofisticadíssimo — e mostrou que a garotinha punk, natural do estado de Michigan (EUA), nunca esteve para brincadeira. Com seus 35 dólares e um sonho, o mito nascia em NYC e se firmou como uma deusa icônica, artística, necessária e poderosa dentro da História Mundial. O mundo não merece Madonna.

Não consigo precisar quando Madonna entrou na minha vida. Acho que foi desde sempre mesmo. Minha Tia Leu, fã fervorosa, não media esforços quando a missão era espalhar a palavra da Rainha-Mãe pela casa com os discos “True Blue” e “Like a Prayer”, além de mobilizar a casa inteira para ver os shows televisionados em especiais de fim de ano. A força de Madonna sobre a gente já era tanta que ninguém se atreveu a reclamar quando Tia Leu resolveu homenagear a Rainha com o nome de nossa primeira cadelinha. Madonna, com seus 12 anos bem vividos, fez parte da minha infância e das nossas vidas de forma tão icônica quanto à de sua homenageada.

A partir daí minha vida tomou um rumo transcendente. Madonna não só me apresentou à cultura pop, que ela claramente inventou e reinventou tantas vezes, como me fez enxergar a vida dentro dos aspectos e conceitos da filosofia Madonniana.

Obrigado pela palavra, Tia Leu. (Foto: Reprodução/Instagram)

Todos os dias sou inspirado pela coragem e o atrevimento de Madonna. Ao receber críticas sobre o meu corpo e sobre minha vida, é pensando com Madonna que eu resolvo e exorcizo os meus traumas. Para fugir de uma crise de ansiedade e insegurança, é na filosofia Madonniana que me apego. Sobre a tomada de decisões difíceis, eu sempre me pergunto "O que Madonna faria?". Dita Parlo também está lá para tudo quando decido nadar contra a maré e defender tudo que eu acredito. Madonna me instiga a viver fora da caixa, pois estar dentro de padrões e viver sob regras rígidas injustas é um pecado nessa religião.


Desde muito jovem, eu nunca entendi o fato de Madonna ser um tabu não só na minha casa como em todos os lugares que eu ia. "Lá vai a Madonna fazer coisa errada", "Olha a doida, não deixo nunca meus filhos assistirem a essa louca". Na minha cabeça, quanto mais falavam isso, mais interessante aquela figura era para mim. Por que todo mundo crucificava aquela mulher? Por que todo mundo julga uma pessoa por ela simplesmente falar o que pensa e ser ela mesma? A resposta veio na Confessions Tour. Das diversas polêmicas que a diva coleciona, Madonna segue até hoje sendo massacrada por tudo que faz e tentam retirar dela até o direito natural de envelhecer sob os holofotes. Porém, é inegável que ela faz muito mais pelo mundo do que líderes políticos, religiosos e os parentes hipócritas que tacam pedras na Virgem Madonna.


A verdade é que Madonna influencia em tudo na minha vida. Em quem Madonna votaria? Penso eu em todas as eleições. O que faria Madonna? Reflito em minhas decisões. O que Madonna argumentaria nessa discussão? Cogito antes de abrir a boca. Quais os filmes Madonna veria? Que álbuns ouviria? Quais livro leria Miss Ciccone? Como a Rainha aconselharia a um amigo? Que roupa vestiria? Com quem sairia? Com quem brigaria? O que pediria num restaurante? Bitch, I’m Madonna.


16 de agosto de 2020


Madonna em seus 62 lindos anos (Foto: Reprodução/Instagram)

Hoje é um dia para ser decretado feriado mundial. Não é todo dia que um ícone do nível de Madonna faz 62 anos em sua melhor forma pessoal, política, profissional e artística. Madonna já morreu e ressuscitou umas milhares de vezes e aquilo que mais a magoa é que ela nunca esteve perdida.

Obrigado, Rainha, por nos presentear com mais uma bíblia do pop chamada “Madame X” no ano passado. Que a sua palavra continue nos guiando sempre, que sua existência continue nos inspirando a suportar a vida nesse mundo selvagem seguindo o caminho solitário e sem perder o controle de Deus.


Amém Madonna

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