Aline Wirley e a potência da mulher selvagem em "Indômita"


Aline em divulgação para "Indômita" - Foto: Vinícius Mochizuki

"A transformação dos paradigmas do que achamos que é real", é dessa forma que a nossa eterna musa do Pop Brasil já mostra a que veio com o primeiro projeto em carreira solo. Na última sexta-feira (27), o mundo foi convidado a entrar de corpo e alma no universo de "Indômita", o tão esperado álbum-solo de Aline Wirley quase 15 anos após o primeiro fim do grupo Rouge.

Com canções autorais, duas versões e parcerias com o produtor Leandro Barros e até letras do melhor amigo de Aline, o ator e cantor Ícaro Silva, e do marido da musa, o ator Igor Rickli ("Curva do Rio"), o álbum tem narrativa na história, na ancestralidade e na verdade da artista com uma estética que já pode se firmar nas listas de trabalhos do afrofuturismo no Brasil. O que falar da sofisticação que é a capa do disco? Das fotos assinadas pelo fotógrafo Vinícius Mochizuki ao trabalho de direção de arte, trata-se de algo que deixaria Grace Jones para lá de orgulhosa.


"Preta, santo canto, a tua força, o teu axé e a tua graça é tua raça", o primeiro single do "Indômita" já veio com a força ancestral de "Curva do Rio", que na primeira ouvida é como se Aline nos levasse junto com ela em uma história, fluindo junto com a artista em águas claras e cheias de verdade.

Capa do "Indômita" deixaria Grace Jones super orgulhosa - Foto: Vinícius Mochizuki

A versão potente para "Oração", o manifesto do amor de São Francisco de Assis, é onde a musa nos eleva para um estado de meditação num momento em que o mundo mais clama por paz espiritual e amor. A surpresa fica por conta de uma versão tango-eletrônico-samba rock para "Ragatanga", onde Diego toma forma feminina e ainda rola citações de "Brilha La Luna" e "Quando Chega a Noite". Um mimo para os fãs do Rouge e um capítulo importante na vida de Aline, que aqui ganha ainda mais força.


Na faixa-título ("Indômita"), é onde mais sentimos o poder da Aline-Mulher e podemos entender quem é, para onde vai e o que quer a mulher selvagem. É uma faixa linda que começa num soul, mas logo parte para uma MPB vigorosa com muitos elementos de afrobrasilidades. Na sensível "Para o Novo", Wirley canta em linda poesia sobre viver o momento, enxergar o novo com muito mais amor. A oração afrofuturista de Aline finaliza com "Não Há o Que Temer" observando que todos somos uma só unidade desde o princípio no lindo trecho "quem vai atrás de mim são vocês e quem vem à minha frente são vocês". Com essa obra, observo que a espera valeu super a pena.



Em "Indômita", Aline transforma os paradigmas do que achamos que é real, munida das luzes e cristais de sua ancestralidade, para trazer o novo cheio de amor e mostrar onde vive a mulher selvagem: na força, na beleza e na potência da própria verdade. Vida longa à RAINHA INDÔMITA!

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